Temo os pequenos males, tão cheios de si. Passam as luas limando um terror maior. Pela matina já dominaram a casa. Como o pó que brota da inércia. Então vão ao encalço das coisas miúdas e grassam nas existências menores. Tenho medo dessa estocada de agulha. Da sangria imposta àquilo que é ínfimo. O que ninguém vela pois sempre foi frio. E não invocam pois não teve nome. Já são suas tumbas os que cumprem apenas uma forma bruta. E dessa forma abruptamente se despiram.
Sobre a pia, resta a mancha do café vespertino. As formigas acodem: embriagadas pelo teor refinado do açúcar. Aglutinam-se, umas sobre as outras, presas àquela natureza incorpórea. Topando repetidamente consigo mesmas, apenas uma morre esmagada, as outras ainda persistem. Engolem o ar, então, como se o bebessem. Cegas pressentindo uma chance alegre de fartarem-se. Porém, não desnudam sequer um único grão. Há somente uma sombra preta e impalpável, como a marca de um fantasma que desapareceu sob uma bomba. E tudo mais cessou.